Carl Gustav Jung (1875-1961), considerado como um cartĂłgrafo a desvendar o mapa da alma, teve grande contribuição para a histĂłria da psicologia. MĂ©dico especializado em psiquiatria, Jung foi assistente de Bleuler e, posteriormente, tornou-se um dos maiores discĂpulos de Sigmund Freud. Discordando de algumas concepções freudianas sobre o inconsciente e compreendendo o ser humano tambĂ©m em sua dimensĂŁo histĂłrica, encerrou seus trabalhos com Freud e deu inĂcio a outra forma de se pensar e fazer psicologia (DA SILVEIRA, 1981).
"O inĂcio de minha carreira se deu em linhas inteiramente freudianas. Fui atĂ© considerado como seu melhor discĂpulo. Estive em Ăłtimos termos com ele atĂ© a hora em que concluĂ que algumas coisas eram simbĂłlicas. AĂ Freud nĂŁo concordou e identificou seu mĂ©todo com a teoria e a teoria com o mĂ©todo. Isto Ă© impossĂvel. NĂŁo se pode jamais identificar mĂ©todo com ciĂŞncia. [...] NĂŁo obstante tenho plena consciĂŞncia dos mĂ©ritos de Freud e nĂŁo tenho intenção alguma de diminuĂ-los. Sei, inclusive, que o que ele diz se adapta a uma grande parte das pessoas, e Ă© possĂvel afirmar que tais pessoas tĂŞm exatamente o tipo de psicologia que ele descreve." (JUNG, 2001, p. 12).
"O inĂcio de minha carreira se deu em linhas inteiramente freudianas. Fui atĂ© considerado como seu melhor discĂpulo. Estive em Ăłtimos termos com ele atĂ© a hora em que concluĂ que algumas coisas eram simbĂłlicas. AĂ Freud nĂŁo concordou e identificou seu mĂ©todo com a teoria e a teoria com o mĂ©todo. Isto Ă© impossĂvel. NĂŁo se pode jamais identificar mĂ©todo com ciĂŞncia. [...] NĂŁo obstante tenho plena consciĂŞncia dos mĂ©ritos de Freud e nĂŁo tenho intenção alguma de diminuĂ-los. Sei, inclusive, que o que ele diz se adapta a uma grande parte das pessoas, e Ă© possĂvel afirmar que tais pessoas tĂŞm exatamente o tipo de psicologia que ele descreve." (JUNG, 2001, p. 12).

A Psicologia AnalĂtica corresponde a uma teoria, pesquisa e prática clĂnica orientadas pela perspectiva teĂłrico-metodolĂłgica de Jung. Este defendia uma psicologia funcional, que pudesse ser posta em prática, e ensinada em seus aspectos biolĂłgicos, etnolĂłgicos, mĂ©dicos, filosĂłficos, culturais-histĂłricos e religiosos. Para isso, cunhou alguns termos que se correlacionavam com diversas áreas do conhecimento - mitologia e estudo de religiĂŁo comparada, astronomia, fĂsica quântica, alquimia, psicanálise e medicina (SHAMDASANI, 2011).
"Jung escreveu: “Psicologia complexa significa a psicologia das ‘complexidades’, ou seja, dos sistemas psĂquicos complexos em contraposição a fatores relativamente elementares”. Meier sugeriu que, comparando-se com a psicologia “analĂtica”, a psicologia “dos complexos” tinha o valor de ser menos restrita Ă s associações patolĂłgicas do consultĂłrio. Entretanto, com raras exceções, essa expressĂŁo nĂŁo foi adotada pelos seguidores de Jung. Uma das razões para essa atitude foi ela nunca ter sido adotada na comunidade de lĂngua inglesa, que se tornou o setor mais influente para o desenvolvimento da psicologia junguiana, depois da Segunda Guerra Mundial. Essa surpreendente desconsideração pelo nome escolhido por Jung para sua disciplina Ă©, em si, um indĂcio da separação entre Jung e a psicologia junguinana. AlĂ©m disso, tambĂ©m indica uma mudança crucial de ĂŞnfase para uma direção oposta, da psicologia geral para a análise prática. Atualmente, a psicologia analĂtica Ă© em grande medida uma disciplina psicoterapĂŞutica profissional, envolvida numa relação problemática com o amplo pĂşblico leigo leitor de Jung. A tentativa que ele fez de estabelecer uma psicologia geral ficou em segundo plano, embora continue viva nos bastidores, desempenhando seu legĂtimo papel." (SHAMDASANI, 2011, p. 27).
Ainda que o que se compreende hoje como Psicologia AnalĂtica nĂŁo seja fielmente aquilo que Jung pensou para a ciĂŞncia psicolĂłgica, ela se utiliza dos mĂ©todos e componentes teĂłricos por ele discutidos e, portanto, atĂ© mesmo para fins didáticos, ela nĂŁo Ă© separada da Psicologia Junguiana.
O paradigma junguiano é baseado em uma concepção ontológica de mundo e de ser humano como uma totalidade, em seus aspectos consciente e inconsciente. Sua proposta epistemológica básica é viabilizar o conhecimento dos conteúdos inconscientes, de modo que o ser encontre mecanismos que o auxiliem em seu encontro consigo mesmo (SHAMDASANI, 2011).
O paradigma junguiano é baseado em uma concepção ontológica de mundo e de ser humano como uma totalidade, em seus aspectos consciente e inconsciente. Sua proposta epistemológica básica é viabilizar o conhecimento dos conteúdos inconscientes, de modo que o ser encontre mecanismos que o auxiliem em seu encontro consigo mesmo (SHAMDASANI, 2011).
"O método terapêutico
da psicologia complexa consiste, por um lado, numa tomada de
consciĂŞncia, a mais completa possĂvel, dos conteĂşdos inconscientes
constelados e, ao mesmo tempo, numa sĂntese destes com a consciĂŞncia
através do ato cognitivo. Dado que o homem civilizado possui um
grau de dissociabilidade muito elevado e dele se utiliza continuamente a
fim de evitar qualquer possibilidade de risco, nĂŁo Ă© garantido que o conhecimento
seja acompanhado da ação correspondente. Pelo contrário,
devemos contar com a extrema ineficácia do conhecimento e insistir por
isso em sua aplicação significativa." (JUNG, 2011, p. 49).
DA SILVEIRA, N. Jung, Vida e Obra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.
JUNG, C. G. Fundamentos de Psicologia AnalĂtica. PetrĂłpolis: Editora Vozes, 2001.
JUNG, C. G. Memórias, Sonhos, Reflexões. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2006.
JUNG, C. G. Memórias, Sonhos, Reflexões. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2006.
JUNG, C. G. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Petrópolis: Editora Vozes, 2011.
SHAMDASANI, S. Jung e a Construção da Psicologia Moderna. O Sonho de Uma Ciência. São Paulo: Editora Ideias & Letras, 2011.